Declarações de Yaira Jiménez Roig, Diretora de Comunicação do Ministério de Relações Exteriores de Cuba a propósito da decisão de Cuba de não continuar participando no programa “Mais Médicos” para o Brasil.

Canal do Porta-voz da Chancelaria cubana (Emissão Nº 3)

Bom dia.

Uma saudação para todos aqueles que estão conectados através do canal de Youtube do Ministério de Relações Exteriores de Cuba para ter informação atualizada sobre a decisão do nosso país de não continuar participando do programa “Mais Médicos”, bem como para obter pormenores sobre o regresso a Cuba dos profissionais da saúde que trabalhavam no Brasil ou que ainda se encontram nessa nação.

Como em emissões anteriores, reitero que esta transmissão sai ao vivo em espanhol, e uma vez que conclua poderão contar com as versões em português e inglês.

Em primeiro lugar, desejo reiterar que Cuba não deu lugar à situação atual. A decisão tomada por nosso país de não continuar participando do programa “Mais Médicos” foi uma decisão dolorosa, porém necessária, visto que é uma responsabilidade e uma prioridade para Cuba garantir a integridade física e a segurança dos seus colaboradores, em qualquer lugar onde estiverem, tema esse de vital importância em um contexto como o atual no Brasil, marcado pela incerteza e pelo duvidoso profissionalismo do governo eleito.

A atitude irresponsável e a manipulação política deste tema fomentada pelo presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro obrigou Cuba a tomar uma decisão que com certeza terá implicações para milhões de famílias brasileiras, sobretudo para essas famílias de baixas rendas, que moram nas zonas mais pobres, afastadas geograficamente, nas comunidades com menos recursos, esses que não saem nas manchetes dos grandes meios de comunicação e que poucas vezes são tidos em conta quando de interesses políticos se trata.

A essas famílias e a esse povo brasileiro expressamos toda nossa solidariedade.

Além disso, insisto em que a situação atual, sob a qual foram criadas circunstâncias lamentáveis que tornam impossível a continuidade da cooperação cubana no Brasil, é responsabilidade exclusiva do governo brasileiro que assumirá funções no próximo 1º de janeiro.

Desejo informar que desde que começou o regresso dos colaboradores cubanos no passado 22 de novembro, já estão em Cuba mais de 4000, os quais chegaram em 20 vôos ao todo, procedentes de Brasília, São Paulo, Manaus e Salvador de Bahia. A planificação dos vôos se desenvolve segundo o previsto, e sem inconvenientes.

Como já dizemos, este é um retorno rápido e ordenado, e antes do fim do ano os colaboradores cubanos estarão de regresso no país.

Os profissionais cubanos da saúde estão voltando orgulhosos do trabalho realizado, agradecidos com o povo brasileiro pelas experiências partilhadas e pelas amostras de carinho com as que foram despedidos, bem como com o respeito e admiração dos colegas brasileiros com os que partilharam, o que fala muito do trabalho desempenhado por nossos profissionais.

Também eles chegaram ao país preocupados por esse povo e pelos pacientes que ficarão sem seus serviços. 

Os colaboradores cubanos que estão voltando do Brasil se reintegrarão ao sistema de saúde pública, em condições similares às que tinham antes de partir, e com seu trabalho em todas as províncias do país contribuirão a resolver desde as comunidades os problemas sanitários, garantir a estabilidade epidemiológica, e continuar consolidando indicadores de saúde com eficiência nos recursos.

De fato, nas províncias como Santiago de Cuba, uma cifra importante dos primeiros que chegaram já prestam serviços ao povo nos seus consultórios.

Como outros profissionais do nosso país, se assim o desejarem, poderão cumprir missão médica em outros lugares do mundo.

Como se informou na emissão anterior, este grupo de profissionais que está voltando ao país receberá a proposta de estudar línguas e uma nova especialidade.

Agora responderemos algumas das interrogantes que temos recebido através da caixa de correio vocero@minrex.gob.cu, um correio eletrônico que colocamos ao dispor da mídia.

Fazemos uma breve pausa e logo voltamos.

A primeira resposta é para José Manzaneda, coordenador de Cuba Información TV, que desde Espanha, pergunta em que investe o Estado cubano as receitas desses programas. Também recebemos uma pergunta similar de parte de Yaima Rodríguez, de Sputnik Mundo.  

 

Em primeiro lugar, deve-se dizer que a cooperação médica cubana se desenvolve na base de partilhar de forma solidária os benefícios entre os indivíduos participantes diretos e o resto da população para fortalecer o sistema de saúde cubano. Esses recursos são revertidos nos serviços universais, gratuitos e de qualidade que o sistema de saúde proporciona aos 11 milhões de cubanos. Esses recursos são para todos, para o povo.

 

Os colaboradores cubanos têm uma vocação solidária e preferem compartilhar benefícios para o bem comum de seu país, em vez de defender uma visão egoísta e individualista. Isto não só o fazem os colaboradores cubanos no Brasil, mas outros profissionais do setor da saúde que cumprem missão em diferentes nações que pagam pela prestação de serviços de saúde cubanos.

Por citar exemplos posso dizer que as contribuições voluntárias dos colaboradores ao sistema de saúde cubano contribuíram a financiar a reparação e reabilitação de policlínicas e vários hospitais provinciais. Ao concluir 2017 se tinham realizado ações de reparação e manutenção em mais de 2 700 consultórios e 327 policlínicas.

Propiciaram a compra de fornecimentos e insumos, medicamentos e equipamentos para importantes programas de saúde como o combate contra o câncer.

Foram introduzidas 31 novas tecnologias e técnicas de avançada. Como parte deste processo de aquisição de novas tecnologias e da renovação de outras, foram importados mais de 5 000 equipamentos médicos, com um valor superior a 32,5 milhões de dólares, priorizando-se a atividade cirúrgica, anestesia, os programas materno-infantil e de atenção ao paciente grave, entre outros. 

As contribuições dos colaboradores ajudaram a financiar necessidades materiais da formação gratuita em Cuba de médicos de outros países muito mais pobres, que em 55 anos chegam a quase 36 mil.

Além disso, em 2017 foram reportadas mais de 96 milhões de consultas médicas, 6 480 369 mais que no ano anterior; ao mesmo tempo a atividade hospitalar conseguiu - por sétimo ao consecutivo -, mais de 1 milhão de cirurgias, atingindo a cifra mais alta da história com 1 085 623 intervenções cirúrgicas, o que em parte também é graças à contribuição que faz ao país a cooperação médica internacional.

Retomamos agora um tema sobre o qual dialogamos na emissão anterior em que foi convidado o Dr. Jorge Delgado Bustillo, Diretor da Unidade de Colaboração Médica do Ministério cubano de Saúde Pública, e que continua sendo do interesse dos meios e é o relativo ao estipêndio que recebem os médicos cubanos no Brasil.

É importante assinalar que os colaboradores cubanos no Brasil não recebem salários, porque não são empregados do sistema de saúde, senão que prestam serviços especializando-se em atendimento primário no Brasil, que é o permitido pela Lei Federal do Programa “Mais Médicos”.

O que recebem os colaboradores cubanos no Brasil é um estipêndio para despesas pessoais e o Programa Mais Médicos financia sua alimentação, moradia, transporte e seguro médico, o que faz parte de suas rendas.

Em Cuba, o Ministério de Saúde Pública, paga 100% dos salários a esses colaboradores, preserva suas vagas e todas as garantias trabalhistas e sociais das que são merecedores como trabalhadores do sistema nacional de saúde, assim como a proteção e atenções necessárias para suas famílias.

Resulta importante salientar que os colaboradores cubanos participam do programa “Mais Médicos” de maneira livre e por eleição pessoal, e assinam um contrato com o Ministério de Saúde Pública, onde voluntariamente decidem compartir rendimentos para fortalecer o sistema de saúde cubano, e já explicamos na resposta à pergunta anterior para que destina o Estado cubano os fundos recebidos como parte da cooperação médica internacional. 

Sobre este aspecto reitero que os valores fundamentais que norteiam a cooperação médica cubana são o humanismo, o altruísmo, a solidariedade. Esses são os valores que acompanham os 34 000 profissionais cubanos da saúde que hoje trabalham em 67 países e são os valores que têm acompanhado, em 55 anos, as 600 mil missões internacionalistas em 164 nações, nas quais têm participado mais de 400 mil trabalhadores cubanos da saúde.

Não há dinheiro no mundo que pague o que fazem nossos profissionais.

Sobram os exemplos, as façanhas como a do combate contra o ébola na África, a cegueira na América Latina e no Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias “Henry Reeve” em diferentes países; falam muito da entrega e da capacidade dos nossos profissionais e evidenciam a essência humanista da cooperação médica cubana.

Correspondentes de diversas partes do mundo têm perguntado sobre futuras missões de cooperação médica destes ou doutros colaboradores cubanos em países específicos.

Os médicos cubanos têm dado provas em muitas ocasiões de estarem em disposição de oferecer seus serviços a qualquer povo que o precisar, como o ofereceram ao povo e ao governo dos Estados Unidos por ocasião do furacão Katrina.

É conhecida a entrega e qualidade do serviço dos colaboradores cubanos da saúde, de suas condições excepcionais como profissionais e como seres humanos. A cooperação médica internacional de Cuba continuará.

Tem aparecido notícias bem imaginativas sobre este tema.

Nesse sentido devo dizer que há muitos anos que Cuba ofereceu à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização Pan-americana da Saúde (OPaS) suas experiências, recursos humanos especializados, universidades médicas e os produtos da indústria farmacêutica e biotecnológica para conseguir a desejada meta de saúde para todos, pelo que a cooperação médica cubana, não está particularizada a um país em específico.

Em matéria de saúde, mais do que em nenhuma outra, Cuba continua trabalhando sob o preceito do expressado pelo líder  da Revolução Fidel Castro, de compartilhar o que se tem e não o que sobra.

Quando o compromisso da cobertura sanitária universal é um tema pendente para muitos, 407 mil profissionais cubanos estiveram presentes em 164 países de todos os continentes, aos que se somam mais de 35 mil jovens de 126 nações que cursaram estudos médicos em Cuba.

Cuba considera que a responsabilidade dos sistemas de saúde vai além do que curar e inclui alertar e proteger, o que requere sua inclusão nas políticas de governo e multi-setoriais. Dai o nosso compromisso com os valores da Agenda 2030 para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável como desafio e oportunidade para atingir melhores sistemas de saúde e proporcionar bem-estar à população.

Em qualquer caso, sempre haverá lugares e países ondo nossos médicos sejam necessários. E sempre existirão governos que os respeitem e os tratem com dignidade.

Com esta pergunta fechamos esta transmissão. A caixa de correio vocero@minrex.gob.cu continua em aberto para que envie suas interrogantes. Convidamo-lo a que se conecte com este espaço na próxima semana.

Agradecemos a todos por sua atenção e reitero que em breve estarão disponíveis as versões em português e inglês desta transmissão.

Muito obrigada e bom dia.

(Cubaminrex)

 

 

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